Ponte Olegário Maciel – 1925
A ponte de ferro foi inaugurada em 10 de dezembro de 1925, vinda da Alemanha, a pedido do Vereador da época, Alexandre Bernardes Primo, que conseguiu a sua doação pelo Presidente Melo Viana, para ligar as cidades de Lagoa da Prata e Luz, estando localizada a 8 km de Lagoa da Prata, passando sobre o Rio São Francisco. O transito foi liberado no dia 01 de dezembro de 1925 e inaugurada pelo governador Fernando Mello Franco
Na parte alta da ponte tem uma placa inaugural com os seguintes dizeres:
PONTE OLEGÁRIO MACIEL
ADMINISTRAÇÃO DO DR.
DANIEL DE CARVALHO
NA SECRETARIA DA AGRICULTURA
SENDO DIRECTOR DA VIAÇÃO E
OBRAS PÚBLICAS O ENGENHEIRO
BENEDICTO JOSÉ DOS SANTOS
1922 – 1925

Esta ponte foi construida sob medida. Um engenheiro alemão veio até o local, fez todas as medidas necessárias e voltou para Alemanha onde a ponte foi construida. A ponte veio para o Brasil de navio até o Rio de Janeiro. Depois de trem até Lagoa da Prata. Foi levada em carros de boi até o local onde está afixada. A ponte foi feita de aço e o seu piso foi feito de concreto, com pilares de cimento e pedras. Tem extensão de 75 metros e 3,5 metros de largura.

Com o passar dos anos, ela sofreu algumas reformas, mas atualmente se encontra muito deteriorada. Sendo que em 2009 foi limitado o peso permitido de veículos em 20 toneladas. Em 2011 foi passado para 3 toneladas, demonstrando que a mesma está bastante precária. Em dezembro de 2014 um caminhão carregado de brita, material usado no asfaltamento da rodovia Lagoa da Prata a Luz, fez cair uma de suas partes. Ficando interditada por vários meses. Hoje a ponte se encontra totalmente fechada ao trânsito de veículos, inclusive algumas estruturas de ferro foram soldadas para impedir a passagem de veículos. A ponte quase centenária precisa de atenção antes que caia!

Curiosidade interessante!
Dizem sobre a ponte, de detalhes contados de boca a boca através dos anos, não divulgados em livros, que durante a construção dos pilares da ponte que foram feitos de pedras e cimento, que apareceu um sujeito curioso da época, e ficou ali agachado, olhando, picando seu fumo, fazendo seu cigarrinho de palha, e ficou resmungando ali falando umas coisas. O engenheiro estava medindo a estrutura de pilares que previamente tinha sido construida.
Conta que este indivíduo, disse algo assim: (Dizem que era o Zeca da Estiva)
“Avisa ao doutor engenheiro alemão, que a altura que os pedreiro fez os pilares, está muito baixo. Já teve enchente aqui que chegou a mais altura.
Se os pedreiros não subirem um metro e meio ai dos pilares, na primeira enchente a ponte será destruída e perderá todo o trabalho.”
O acompanhante que traduzia as palavras para o alemão o informou, e este bobo que não era, solicitou que subissem mais 2 metros. O engenheiro ficou mais uns dias em Lagoa da Prata, fez novas medidas e cálculos.
Esta diferença pode ser vista na foto abaixo, que mostra a diferença da estrutura. Graças a este cidadão que ninguém sabe quem era, (dizem que era o Zeca da Estiva) a ponte não foi arrancada com enchentes posteriores e a danada da enchente de 1997 que chegou a encostar no piso da ponte.
Esta história nos foi contada pelo saudoso Doutor Jaime José Ferreira.
Dizem que 3 pontes de madeira que foram construidas antes da ponte de ferro foram levadas pelas enchentes de antes de 1925.

Veja também: Clique e veja: A maior enchente já vista 1996-1997
Veja o dia que a ponte caiu: Caminhão derruba cabeceira da ponte Olegário Maciel
Quem foi Olegário Maciel?
Olegário Dias Maciel nasceu em Bom Despacho (MG), em 1855.

Engenheiro, formou-se pela antiga Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1878. De volta a Minas, iniciou sua carreira política ainda durante o período imperial, como deputado provincial pelo Partido Liberal, entre 1880 e 1883. Em 1890, já no período republicano, elegeu-se deputado estadual. Em 1894, chegou à Câmara Federal, na legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM). Obteve, a partir de então, sucessivos mandatos, permanecendo na Câmara até 1910. De 1914 a 1918, ocupou o cargo de inspetor-geral do Serviço de Vias Férreas do Ministério de Viação e Obras Públicas, no governo de Venceslau Brás.
Após alguns anos afastado da vida pública, elegeu-se vice-presidente do estado de Minas Gerais, em 1922, na chapa encabeçada por Raul Soares. Exerceu o governo por alguns meses, em virtude da doença e do falecimento do presidente estadual. Elegeu-se ainda, nesse período, para o Senado de Minas Gerais.
Em 1930, foi indicado por Antônio Carlos para sucedê-lo no governo mineiro, quando já contava mais de 70 anos de idade. Ao mesmo tempo, as forças políticas dominantes no estado se alinhavam no plano federal à Aliança Liberal, coligação que lançou o gaúcho Getúlio,Vargas à presidência da República, em oposição ao candidato situacionista, Júlio Prestes. Eleito para o governo de Minas e empossado em setembro de 1930, Olegário hesitou em apoiar o movimento revolucionário articulado pelos membros mais exaltados da Aliança Liberal com o objetivo de depor o presidente Washington Luís e evitar a posse de Júlio Prestes. Sua adesão ao movimento só se deu após consultas ao ex-presidente Artur Bernardes.
Vitorioso o movimento insurrecional, deflagrado em outubro de 1930, Olegário foi o único governante estadual mantido em seu posto por Vargas, que nos demais estados optou pela nomeação de interventores federais. Isso não evitou, porém, que nos anos seguintes a política mineira passasse por um processo tumultuado, não muito diferente do observado nas outras unidades da federação. Olegário apoiou, então, a formação em Minas da Legião de Outubro, agremiação de inspiração fascista, idealizada para oferecer apoio ao novo regime. O surgimento da nova organização comprometia as bases políticas do PRM, o que fez com que Bernardes se opusesse decididamente à sua consolidação. Olegário chegou a anunciar a incorporação do PRM à Legião de Outubro, mas os seguidores de Bernardes reagiram contra isso e, ainda que enfraquecidos, mantiveram o partido em funcionamento. Ao mesmo tempo, Olegário foi vítima, em agosto de 1931, de uma tentativa de golpe para afastá-lo do governo mineiro, articulado por Oswaldo Aranha e outros membros do governo federal. O golpe, no entanto, foi derrotado pela ação da Força Pública estadual, comandada por Gustavo Capanema, membro de seu secretariado.
Em fevereiro do ano seguinte, Olegário tentou promover a unificação das forças políticas mineiras no Partido Social Nacionalista. Essa tentativa, contudo, fracassou com início do movimento constitucionalista em São Paulo, que voltou a dividir os mineiros. Olegário, que no início de 1932 se havia mostrado simpático à proposta de reconstitucionalização do país, preferiu permanecer fiel ao governo federal quando o levante foi deflagrado pelos paulistas, no mês de julho. Nesse sentido, enviou tropas mineiras para combater os rebeldes e tomou medidas punitivas contra os elementos que tentaram promover ações de apoio aos paulistas a partir do território de Minas, como os ex-presidentes Artur Bernardes e Venceslau Brás.
No início de 1933, participou da fundação do Partido Progressista (PP), que obteve expressiva vitória nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, realizadas em maio daquele ano.
Morreu em Belo Horizonte, em setembro de 1933.
Retirado de
http://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm/biografias/ev_bio_olegariomaciel.htm em 20/03/2005
PONTE OLEGÁRIO MACIEL Segundo o livro “O Município de Luz e as comemorações de setembro de 1941”, o Senhor Ramiro Teixeira Rocha, em “Dados Corográficos e Estatísticos” diz: “Transportes – Rápido e barato, por excelentes vias de comunicação, rasgadas em todas as direções. A rodovia Luz- Lagoa da Prata, ponto ferroviária de escolha, foi construída em 1924, no Governo Melo Viana, com uma belíssima obra de arte, a ponte metálica, sobre o São Francisco, com 70 metros de extensão, no valor de 500.000$000 (quinhentos contos de réis).
Veja abaixo matéria veiculada no Jornal Minas Gerais, órgão oficial dos poderes do Estado, edição de sábado, 12 de dezembro de 1925.
A inauguração da Ponte “Olegário Maciel”, sobre o Rio São Francisco, entre Lagoa da Prata e Luz.
Há 100 anos, no dia 10 de dezembro de 1925, numa quinta-feira, era inaugurada a Ponte “Olegário Maciel.
Aproveitando sua viagem a Araxá, o Presidente (Governador) do Estado de Minas Gerais, Fernando de Mello Vianna, para diversas inaugurações e lançamento da pedra fundamental para construção do novo Balneário no Barreiro, na volta, veio a Lagoa da Prata afim de inaugurar, juntamente com o Secretário de Agricultura, Indústria, Terras, Viação e Obras Públicas, Dr. Daniel de Carvalho, a estrada de automóveis que, do importante distrito de Santo Antônio do Monte vai até a Luz, numa extensão de 50 quilômetros, do outro lado do Rio São Francisco, inauguração essa que se estendia também à Ponte “Olegário Maciel”, sobre o referido rio.
Recebidos na Estação, onde o trem especial chegou às 6 horas, pelos senhores Coronel Alexandre Bernardes Primo, Francisco Bernardes Lobato, Amâncio Bernardes e Alexandre Bernardes Lobato, todos pertencentes à importante família Bernardes, a qual Lagoa da Prata tanto deve do seu progresso, o Presidente e comitiva poucos passos da estação, “ao pé” da Lagoa – maravilhosa, epônimo da localidade, grande, piscosa, povoada de buritis que, mergulhados nela até cinco metros e mais, agitam docemente os leques, sobre a mais deslumbrante das paisagens – visitaram a grande fazenda de dona Alexandrina Bernardes, cujas dependências percorreram, desde o jardim, onde se encontram curiosidades interessantes estalactites extraídas de furnas da região, um enorme vaso indígena, urna funerária de algum cacique, hoje transformado em urna de flores – até as esplêndidas pocilgas, de que sr. Carlos Nunes tirou vários aspectos para a obra “Minas Geraes em 1925”.
Servido café, o Presidente e comitiva, acompanhados pelos referidos membros da família Bernardes dirigiram-se ao arraial – fruto de um grande esforço inteligente – que floresce, no alto, a cavalheiro da Lagoa da Prata que lhe empresta o nome.
A visita à sede do próspero Distrito se fez sob fogos. sendo servido ao Presidente e comitiva, no Hotel Penna, de propriedade do senhor Manoel Penna, delicado almoço.
A ESTRADA
A estrada de automóveis Lagoa da Prata a Luz, inaugurada pelo Presidente Mello Vianna, atravessa, no começo terreno alto e seco, cheio de indaiá, o que não impede a formação de boas invernadas onde encontra excelente gado de engorda e de criar.
À medida, porém, que desce para o Rio São Francisco, os terrenos melhoram, veem-se matas de primeira ordem, e baixadas fertilíssimas – tão comuns a essas margens prodigiosas do mediterrâneo mineiro.
Aos lados da estrada, aqui, ali, encontram-se lagoas, alimentadas pela água transbordante do rio: é à direita a Lagoa Verde, à esquerda, a Lagoa Feia ambas, como todas as outras, moradas de jacarés, sucuris e piranhas, de que se contam casos.
Já se acham terminados os serviços de terraplenagem dessa estrada, construída por contrato pelo Coronel Alexandre Bernardes Primo, faltando para a conclusão da mesma apenas a construção de alguns pontilhões e bueiros.
A extensão da estrada é de 49,440 metros, irá a mesma servir ao Distrito de Esteios, no Município de Luz. No quilômetro 12, a partir de Lagoa da Prata, atravessa o Rio São Francisco utilizando-se, como dissemos, da ponte metálica “Olegário Maciel”.
É uma estrada feita em excelentes condições técnicas, com rampas fracas, raios de curvas folgados, encontrando-se, com grande frequência, tangentes de 2 e mais quilômetros.
Apesar de ser uma estrada de segunda classe, as suas condições técnicas satisfazem perfeitamente o exigido para uma de primeira. O terreno, todo ele sílico-calcário, apresenta magnificas condições para a plataforma da estrada, oferecendo esta vários trechos onde se executaram apenas raspagens, raras obras de arte sem importância, de sorte que a estrada é, em regra, de aspecto monótono e pouco atraente a não ser a entrada no arraial de São Carlos do Pântano, cuja topografia é encantadora, de horizontes vastos, solo silicoso seco, arruamentos retos, cruzando-se igualmente em ângulos retos.
O arraial do Pântano está a 2 quilômetros da estação de Lagoa da Prata.
PONTE OLEGÁRIO MACIEL
A ponte inaugurada liga os Municípios de Luz e Santo Antônio do Monte (Lagoa da Prata).
Ao chegar à ponte com sua comitiva, o Presidente Mello Vianna encontrou ali para recebê-lo na fronteira do município de Luz o Presidente deste, Coronel Alexandre Dú, que vinha convidar sua excelência a visitar aquela florescente localidade.
Não sendo possível, no momento, atender à gentileza desse convite, o Presidente foi acompanhado até esta Capital pelo Coronel Dú.
A ponte inaugurada e que representa enorme serviço à região, foi iniciada no governo do saudoso Dr. Raul Soares e terminada no atual, na administração do mesmo Secretário da Agricultura, Dr. Daniel de Carvalho, sendo Diretor de Obras o Dr. Benedicto Santos.
Estas informações encontram-se em duas placas de bronze pregadas à ponte, vendo-se mais a data 1922-1925.
A ponte metálica “Olegário Maciel” sobre o Rio São Francisco, entre a estação de Lagoa da Prata, da Estrada de Ferro Oeste de Minas, е Luz, tem 3 vãos, dos quais o central, em vigas parabólicas, tem 60 metros de comprimento por 4 metros de largura entre faces de vigas extremas.
A ordenada máxima da corda superior tem 9 metros de altura, sendo as vigas guarnecidas de guarda-corpos metálicos de segurança.
O soalhamento é de concreto sobre telhas ferro corrugado, com 0, m15 de espessura. Os vãos extremos são em treliças americanas, com 20 metros de extensão e altura de 2 metros.
A superestrutura foi calculada para veículos pesados e carga uniforme de 400 quilogramas por metro quadrado; assenta em encontros e pilares de alvenaria de pedra com argamassa hidráulica. Os pilares, de alvenaria aparelhada, têm 17 metros de altura total. O da margem esquerda foi assente em uma estacada de madeira, com 50 estacas de aroeira, batidas até a nega. O pilar da margem direta se assenta no solo, a 6 metros abaixo do nível atual das águas. Este pilar sofreu um pequeno abatimento que teve como consequência deslocamento da superestrutura para a esquerda, esmagando o encontro correspondente e fugindo as vigas das suas posições.
Entre os dois pilares havia um desnivelamento de 8 milímetros e a corda inferior da viga central tinha uma diferença de nível de 91 milímetros, entre a sapata assente sobre a soleira do pilar da margem direita da margem esquerda.
Constatou-se um afastamento angular do pilar da margem direita, para dentro, pelo escorregamento lateral observado nas carretas de dilatação.
O vão extremo à esquerda deslocou-se de 5 centímetros para fora.
Foi feito um reforço de concreto armado na base dos pilares, cuja resistência era duvidosa, no sentido de ampliar lhe a base.
O peso unitário sobre a base do pilar, segundo cálculos feitos, era de 3, k318, tendo passado depois de feito o alargamento da base, a cerca de 1,k100 apenas por centímetro quadrado.
Esta ponte está no quilômetro 11 da estrada de Lagoa da Prata a Luz, estrada esta que será em breve inaugurada. Os pilares foram construídos por empreitada do senhor Ângelo Perillo e a montagem foi feita pelo engenheiro Agnelo de Macedo, também por contrato.
Até esta data foram despendidos com os serviços da ponte…420:988$000.
(Jornal Minas Gerais, órgão oficial dos poderes do Estado, edição de sábado, 12 de dezembro de 1925)
Em 1921 o Presidente Arthur Bernardes, reunido com o recém-empossado Bispo do Aterrado, Dom Manoel Nunes Coelho, e com os chefes políticos do Aterrado (ainda Distrito de Dores do Indaiá), Capitão Alexandre de Oliveira Dú, e de São Carlos do Pântano (ainda Arraial pertencente ao Município de Santo Antônio do Monte), Coronel Alexandre Bernardes Primo, prometeu-lhes mandar construir a ponte sobre o Rio São Francisco, além de um ramal ferroviário que, partindo da estação de Lagoa da Prata, deveria atingir o arraial do Aterrado.
Segundo depoimento escrito de Dom Manoel, datado de 1948, ante a promessa do ramal ferroviário para Luz do Aterrado, o Bispo ponderou ao Presidente estadual, na audiência de 1921, que seria mais conveniente mandar fazer “antes uma rodovia, cuja construção seria mais rápida e sem perigo de interrupção e fracasso com a mudança da política (……). Prometeu então [o Dr. Arthur Bernardes] satisfazer-nos: recomendaria uma ponte metálica sobre o Rio São Francisco – ponte de estrada de ferro – para o caso de no futuro ser aproveitada”
