Primeiras Famílias

Lagoa da Prata e suas primeiras famílias – Trechos históricos

Segundo levantamento feito pelo historiador Silvério Rocha de Oliveira que nos dá conta de fatos assim no seu livro “Lagoa da Prata – Retiro do Pântano” (primeira obra publicada contando fatos buscados ao longo da história), as primeiras notícias do lugar foram colhidas na origem de Itapecerica e seus reflexos regionais. Ao ser criado esse município em 1789, num desmembramento de São José Del Rei, que passou a chamar-se Tiradentes, foram estabelecidas as 34 ordenanças do reino (que naquele tempo representavam distritos ou subdivisões municipais) onde a 10ª e a 11ª formavam Santo Antônio do Monte e dentro dessa jurisdição via-se a 12ª com o nome de Pantano – que mais tarde (em 3 de janeiro de 1900) passou a chamar-se São Carlos do Pântano. Era um povoado formado em tempos remotos, provavelmente constituído de mineiros oriundos de Pitangui buscando caminho às minas do rio Vermelho, em Goiás – através da Picada de Goiás – aberta no século anterior, pelo governo imperial – procurada e motivando o rumo perdido. Três anos antes desse evento, num mês de abril quando até então o lugar só era identificado por Retiro do Pântano, já então quase ao limiar do século XX, o Coronel Carlos José Bernardes Sobrinho decidiu formalizar a situação do lugar cheio de palhoças e habitado só por negros e mulatos (vindos das minerações auríferas pitanguienses), já existente dentro de uma de suas propriedades rurais. Encontrou um italiano prático em obras e capaz de erigir uma capela conforme as suas pretensões e convidou a incumbir-se da missão esse então conhecido itálico que aqui morava de pouco, chamado Nazareno Manganelli; e, assim, logo após ter desenhado o projeto arquitetado na sua memória e feito pelo seu amigo Cirilo Dias Maciel, a construção teve começo. Nessa ideia formalizada viam-se lugares destinados também ao Cemitério e a duas Casas de Escola, além da Igreja. Entretanto, antes de concluída a obra, no dia 2 do ano entrante de 1900, o Coronel morre subitamente. E ao ser chamado para as exéquias do morto tão importante, o vigário de Santo Antônio do Monte – Padre Otaviano José de Araújo (logo depois elevado a Monsenhor), no entremeio do ato mais solene – a santa Missa – enaltecendo a figura do desaparecido, sugeriu o nome de São Carlos a padroeiro da capela ainda sem nome e ao lugar que deixa de ser só Pantano, doravante precedido do padroeiro sugerido. E como São Carlos do Pântano. Em 1916, ao ser inaugurada a linha ferroviária, a estação local recebeu o nome da lagoa ali tão próxima e, em 1925, o progressista arraial é elevado à categoria de distrito com o nome da gare ferroviária: Lagoa da Prata. ***** E as famílias do lugar, como tiveram começo? A primeira de todas foi constituída por Zeferino José de Mesquita, chegado à Forquilha em 1809. Foi casado com Anna Joaquina da Conceição. Morou lá até 1820 quando se mudou para Estiva, onde construiu a sede de fazenda ainda existente. E seus filhos foram se casando: 1 – Francisco,em 1º de janeiro de 1831 (sem saber-se com quem) que teve sua primeira filha, a Rosinha; 2 – Joana Silvéria, com Ezequiel Martins Gandra, em 10 de julho de 1837; 3 – Maria Victoria, com Luis Antônio de Azevedo, em 26 de fevereiro de l839. ***** Em 3 de março de 1840, nasceu Francisca Jacyntha – filha de Joana Silvéria e do Ezequiel Gandra. Foi criada e conhecida pelo apelido de Chiquinha. Ao que consta, foi-se apoderando dos bens da família, ficou rica e se casou com Carlos José Bernardes – tio do Cel. Carlos Bernardes, com o qual teve quatro filhos: Maria, Modestino, Anna e Carlos. Este, ao assumir a maioridade, pediu ao juiz de órfãos para desvincular-se do sobrenome “Bernardes” numa opção ao do avô-padrinho “Gandra” e assim como Carlos Gandra ficou conhecido. Ao enviuvar-se “Chiquinha da Estiva”, casou-se com José Joaquim Cesário de Castro e casal que deu origem aquela que ficou ostentando o conceito “Família da Estiva” . como ficou conhecida;. Afora os “Mesquita”, outros foram os “Caetano” e os “Novais” realmente pioneiros, vindo logo depois os “Bernardes”, os “Ribeiro/Resende”, os “Dias Maciel”, os “Miranda”, os “Borges”, os “Antônio de Oliveira”, os “Batista Leite”, os “Vidal”, os “Félix”, os “Moraes” , os “Gomes”, os “Manganelli/Romualdo” e os “Pereira de Araújo”, além doutros chegados depois, ao começar o século XIX . Muitas outras famílias foram constituídas depois da virada desse novo tempo Após a chegada desse povo é que veio muita gente, sobretudo de Santo Antônio do Monte, de Córrego Danta e de Esteios – quando estes dois eram parte do mesmo município de que Lagoa da Prata se desmembrou.

(sic)

(Este texto faz parte dos trabalhos escritos e publicados pelo historiador Silvério Rocha de Oliveira nos jornais desta cidade, o qual já escreveu quatro livros dentre os quais “Lagoa da Prata – Retiro do Pântano”).