O Casarão

Lagoa da Prata
                     Minas Gerais

O Casarão, a cozinha e o casarão.

“Vozes veladas, veludosas vozes volúpias dos violões, suas primas e rimas a cintilar…”.

Assim dizia o poeta e assim deveria ser naquele tempo a vida no vetusto casarão.

À noitinha, o coronel se assentava na sala de jantar com seus convidados, fazendeiros, políticos locais e suas famílias.

Havia sempre músicos entoando velhas canções, havia poesias de rima rica, declamadas ao solo de piano e violão. Era saraus que duravam até bem tarde.

Broa de fubá, pão de queijo, biscoito de polvilho e, como não podia faltar, o café preto, coado na hora, cheiroso como ele só. E a prosa comprida se alongava noite a dentro.

Os assuntos eram variados: qualidade do gado, pastagens, preço do feijão, do milho… As senhoras se juntavam a observar e elogiar os belos guardanapos de ponto-cruz, ou aprender um ponto novo de crochê junto à dona da casa, sorridente (uma santa, diziam) que aproveitava para contar alguma travessura de suas crianças.

Hoje o casarão já não está lá, como antigamente, com seus janelões abertos, pintados de azul, sua visão privilegiada. Atualmente, depois de tempos de assombro silencio e escuridão, através de pessoas cheias de idealismo, começa lentamente a se reerguer.

Ficou a lembrança de seus lustres e espelhos de cristal, mobília de palhinha austríaca, tudo vindo da Europa, de navio depois de trem de ferro e lombo de burro.

Ficou também a sua cozinha maravilhosa, passada de geração em geração, cujas receitas ultrapassam níveis nacionais e levam, mundo afora, o nome orgulhoso enaltecido de Lagoa da Prata.

Por Consolação Sampaio.


Fonte: Creche Tia Elvira – Receitas de Família – Segundo Volume


Robson Moraes

Robson Moraes Almeida, Farmacêutico, Bioquimico, Retratista e Editor do Lagoa da Prata Ponto Com

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