Caverna de Pelito é a única do mundo

Caverna Toca do Lobo, única de Pelito catalogada no mundo, esta caverna fica no município de Lagoa da Prata em uma área particular e de total preservação, o lugar é incrível e de uma beleza ímpar.

Participaram desta aventura
Bobby Teófilo (Mochileiro)
Henrique Rocha (Engenheiro Ambiental)
Jaime (Biólogo)


Toca do Lobo

Resumo

Desenvolvida em rochas do grupo Bambuí, em uma camada de pelito acima do calcário, a caverna Toca do Lobo está localizada no município de Lagoa da Prata, Minas Gerais, A cavidade se destaca por dois fatores: primeiramente pela sua litologia, única neste tipo de rocha e segundo pela forma de que vem sendo degradada, tendo seu entorno e sua vegetação completamente degradado.

Sua gênese é ocasionada devido ao desplacamento da rocha pelitica, considerando que o calcário que estava na sua base de sustentação teria dissolvido, levando em consideração que uma rocha metamorfica não sofreria o processo de dissolução, comum no calcário. Devido a este fator, seus condutos são retilineos e angulosos, tornando suas formas distintas do encontrado na maioria das cavidades.

Palavras chaves: Metapelito, Grupo Bambuí, desplacamento

A gruta Toca do Lobo, se localiza no município de Lagoa da Prata (MG), no centro oeste de Minas Gerais, na região do Alto São Francisco. Esta gruta foi visitada em um trabalho executado na região em outubro de 2002, pela equipe do núcleo de Geomorfologia Aplicada e Gestão Ambiental GAGEA, sob a coordenação do Prof. Dr. Ailaoua Saadi. Com o intuito de se conhecer o potencial espeleológico do município.

Neste local, encontrou-se afloramentos de rochas carbonáticas e peliticas, ambas pertencentes ao Grupo Bambui, formações de Sete Lagoas e Paraopeba, respectivamente (Mandalosso & Veronese, 1978). A toca do Lobo, é uma gruta desenvolvida em pelitos, bastante diferente das demais grutas da região. Acredita-se que o deslocamento dos pelitos, responsável pela sua genese, tenha ocorrido devido a dissolução dos calcários subjacentes.

Caracterização da Cavidade

A entrada da cavidade é marcada pela presença de uma dolina de colapso em metapelito, com aproximadamente 12 metros de profundidade e 10 metros de diâmetro. Percebeu-se a presença marcante de sedimentos no fundo desta pseudodolina, provavelmente proveniente do carreamento de argilas da superfície, facilitado pela retirada da cobertura vegetal nos arredores do abismo pelo proprietário da terra, possivelmente visando a formação de pasto. A entrada da cavidade tem cerca de 5 m de altura e é marcada por uma grande quandidade de placas de pelitos, dispersas pelo chão. Alem disto, percebe-se também um pequeno mas constante fluxo de água, escorrendo na parede lateral direita da entrada da cavidade. O piso da caverna é inteiramente marcado por uma grande quandidade de sedimentos finos (argila), com forte umidade, formando um solo espesso e lamacento que, por sua vez, dificulta a observação de outros sedimentos, dentre os quais porções conglomeráticas e placas peliticas, que também podem forrar o chão da cavidade. A caverna é marcada por condutos retilíneos, em ângulos agudos e retos, totalmente distinta das cavidades em rochas carbonáticas, encontradas na região. Nesta cavidade não há a dissolução da rocha, apenas o desplacamento formando assim condutos singulares.

Mapeamento

A caverna foi topografada por quatro espeleologos, que utilizaram equipamentos básicos de topografia, com trena, bussula e clinômetro Suunto. A caverna não apresenta desnível, mas existe uma certa dificuldade para alcançar sua boca, devido à ocorrência da pseudo-dolina. O desenvolvimento linear da caverna chega a 39,4 m. sendo o seu final todo fechado por sedimentos.

Fonte: Anais do XXVII Congresso Brasileiro de Espeleologia, Januária MG, 04-14 de julho de 2003. Sociedade Brasileira de Espeleologia.

Robson Moraes

Robson Moraes Almeida, Farmacêutico, Bioquimico, Retratista e Editor do Lagoa da Prata Ponto Com

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