Luiz Tatico, o maior contador de casos de Lagoa da Prata

Da Redação: Robson Moraes

Diz e comentam alguns antigos, que Luiz Tatico, era um mentiroso, mas não é verdade. Segundo os maiores pensadores da época, e também antigos, ele era um grande brincalhão, assim então podemos corrigir esta confusão que vem se propagando a decadas!

Luiz Tatico era sim, então, o maior contador de casos de Lagoa da Prata.

E o povo provocava insistentemente! Todo mundo que chegava perto dele pedia!

“Conta uma historia Tatico!”

E ele contava um causo cabuloso e deixava todo mundo impressionado com os detalhes. Muitos ficavam na dúvida se era verdade ou não.


Ooo Luiz Tatico, conte uma historia!

“Agora não posso, tenho que ir correndo la em casa pegar um emborná, pois lá na Embare está distribuindo caramelos para todo mundo!”

Em poucos minutos a cidade inteira estava na porta da Embaré bravos com ele!


Ele vivia rindo, e rir para ele era o melhor caminho. Para ele não tinha tempo ruim! Tudo podia se transformar em um causo! Muito inteligente e com uma capacidade de improvisação incrível.


Em 2009 Otaviano Silva “Luinha” fez uma homenagem com uma poesia:

“Os causos do Luiz Tatico

Vou escrever sobre uma pessoa
Que na cidade é esquecida
Ele é Luiz Tatico
Que faz parte da minha vidaSempre falando sério
Folclorico e inteligente
Nos nossos bate papo
Fazia a alegria da genteCom seus casos hilariantes
Na memória será eterna
Principalmente a do vento
Que entortou a cisternaContinuando a história
Que faço de bom grado
Como a do jacaré
Que morreu afogadoNa fazenda tinha um lago
Que ele cuidava com amor
Ali e pegava peixes
Com um gato pescadorAlguns tentaram imitá-lo
Mas não conseguiram não
O único que aproximou
Foi o PantaleãoTem uma que ele contou
Que eu achei muita graça
É que a Embaré planejava
Engarrafar a fumaçaNa fazenda plantou milho
E isso não é fofoca
O sol era muito quente
Quando chegou na lavoura
Era pura pipoca

Tem também a do bambu
Que canalizava água prá cozinha
O bambu apodreceu
A água continuou sozinha

Encerrando os meus versos
Quero cobri-lo de glória
Que pena minha cidade
Não tem museu, nem história”

Autor: Otaviano Silva “Luinha”

Enviado por Otaviano Luinha em 27/02/2009 Publicado em www.recantodasletras.com.br

Temos tambem este caso contato por Isaias Ribeiro
Autor da coluna “Historias que o povo conta” publicado periodicamente no  Jornal Opapel

“Luis Tatico e o Monsenhor

Como todos sabem, não pergunto maiores detalhes sobre as histórias que me contam. Simplesmente as transcrevo como ouço e é só. Esta, por exemplo, é ótima e contaram-me na Praça da Matriz.
Bem, há algum tempo atrás, o Tático, figura muito querida em nossa cidade, sempre aprontava das suas pregando peças nos amigos e nos demais desavisados.

Alguns casos ele jurava de pé junto que eram verdadeiras. Contava com tal eloqüência que até os mais chegados caíam em suas peças.
Na Praça do Cruzeiro, existia um bar bem na esquina, de frente para a praça (bons tempos aqueles), o coreto, as árvores, crianças brincando, alegres. Sombra fresca e descanso para os de mais idade. Diversão para os mais jovens. Estava lá muitos amigos reunidos.

O Tático sempre por lá passava, principalmente naquele dia: domingo pela manhã, bem cedo. Neste dia, passou ao largo do bar: taciturno, cabisbaixo, passou direto; mãos cruzadas atrás das costas, olhar triste, de quem está com um pouquinho de raiva. Os amigos estranharam e saíram todos para fora do bar dizendo: – Ô Tático, quê isso rapaz?
Venha cá, conte uma das suas histórias pra gente…

O Tático, que não gostava que fizessem galhofas com as suas anedotas foi logo disparando: – Olha que hoje não estou pra brincadeiras. Vocês bebendo logo hoje, nesta data triste? Vocês estão de gozação comigo, insensíveis!

Os amigos do bar se entreolharam, não sabendo o porquê de tudo aquilo, tentaram contornar o imbróglio: – ô Tático, que isso! Venha cá e conte-nos o que acontece.
– Olha que vergonha, disse Tático. Você bebendo e se divertindo… estão tripudiando do bom nome e da lembrança do nosso “Monsenhor” que hoje visita a Deus e pede a Ele por nós! Olha só isso!
Todos do bar ficaram baratinados, jogaram a bebida dos copos fora, vestiram camisas, o dono do bar fechou as portas afirmando que no dia da morte do Monsenhor ninguém mais beberia no seu bar e que o Tatico tinha toda razão. – Que Vergonha, Meu Deus!

Tatico foi-se, em direção à rua Modesto Gomes enquanto passavam os “fueiros” da Usina apinhados de gente se segurando uns aos outros pela rua afora.

Após alguns minutos, os amigos do bar já devidamente banhados e de “roupa de ir à missa” chegaram todos à Igreja Matriz para o suposto “velório do Monsenhor”. Qual não foi a surpresa de todos quando já à porta da Igreja foram recebidos pelos diáconos e obreiros da igreja. Aliás, muito bem recebidos uma vez que só iam à missa em casamentos de parentes e batizados dos filhos. Em nenhum outro dia. Apenas nesses… ao longe viram o Monsenhor a rezar a missa e agradecer a presença dos fiéis. Muito envergonhados e com uma baita raiva do Tatico se sentaram com as esposas nos bancos e se colocaram a acompanhar o cerimonial.

O Tatico, feliz da vida, estava todo que todo lá na frente da igreja, com um sorriso de canto de boca, alegre como se tivesse ganhado na quina da loteca. Naquele dia, o Tatico faria a leitura do cerimonial e queria que todos o vissem. Conseguiu realmente levar todos os amigos numa missa comum, dominical. Dizem as boas línguas que alinda levou 100 mil cruzeiros do dono do bar pela aposta feita.”


Conhece algum caso contado pelo Luiz Tatico? Tem alguma foto para ilustrar a matéria? Deixe sua mensagem nos comentários ou entre em contato!

Robson Moraes

Robson Moraes Almeida, Farmacêutico, Bioquimico, Retratista e Editor do Lagoa da Prata Ponto Com

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