Epidemia de Dengue em Lagoa da Prata. De quem é a culpa?

Por Saulo Castro

Para entendermos os incontáveis surtos de dengue mundo afora precisamos refletir sobre como e porque o Aedes Aegypti conseguiu se estabelecer em meio a nossa sociedade. Primeiramente vamos falar um pouco do Aedes. Ele mesmo, o próprio. Originário da África, provavelmente chegou aqui vindo em navios que transportavam escravos para as Américas. Em terras Tupiniquins o famigerado encontrou terreno fértil para se expandir e proliferar mas, nem tudo eram rosas barra o bichinho. Haviam os predadores naturais e, não eram poucos. Libélulas, aranhas, lagartixas dentre outros. Contudo o riscadinho foi se ajustando daqui e dali e acabou por se firmar.

País tropical, muita chuva, clima quente e o resto foi só alegria para o Aedynho. A questão da Dengue é de cunho estritamente ambiental. Essa conversa de que lixo nas ruas e água acumulada em vasos nos jardins não passa de uma desculpa esfarrapada dos gestores públicos para transferir a culpa para as pessoas. É o que sempre fazem. E fazem muito bem. Da mesma forma, sempre em períodos de crise hídrica, o fazem pedindo para que as pessoas economizem no banho ou deixem de lavar suas calçadas quando na verdade os verdadeiros vilões pela escassez são os grande irrigantes, indústria e mineradoras.

A questão é ambiental porque vejam bem, só nas últimas décadas que ele realmente se tornou um problema generalizado devido ao crescimento desordenado das cidades, desmatamentos, poluição dos cursos d’água e, principalmente o uso intensivo e indiscriminado dos inseticidas nas lavouras o que levou ao extermínio de boa parte dos animais e insetos, muitos dos quais eram predadores do Dengoso. Na cidade demos uma mãozinha aplicando o Fumacê (inseticida neurotóxico). Aos mais velhos, lembram quando eram jovens? Quantas espécies de insetos existiam em nossos jardins? Borboletas, marimbondos, joaninhas e outros.

O único resultado prático do uso do Fumacê foi o de dizimar esses insetos propiciando um campo livre de predadores para o Aedes Aegypti e o incremento no saldo bancário dos Gestores e as empresas contratadas para prestar o serviço. O Aedes está para esse pessoal assim como a Neosaldina está para a dor de cabeça. Então não se iludam achando que resolveremos esse problema eliminando os focos de água em nossas casas. Não passa de paliativo. Mas é bom se prevenir. Até porque, para cada residência existem 100 outros focos naturais disponíveis.

Alguém aqui já viu um Aedes Aegypti em zona rural? Até existem, mas em números aceitáveis. Lá a natureza consegue se ajustar e controlar seus números. Nos centros urbanos é um caos generalizado com condições perfeitas para a proliferação de pragas. Somos uma fonte interminável de recursos alimentícios para esses indesejados, mas eles nos adoram. Pensem nisso. Raciocinem melhor e parem de ser manipulados.

Robson Moraes

Robson Moraes Almeida, Farmacêutico, Bioquimico, Retratista e Editor do Lagoa da Prata Ponto Com

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