O Cemitério dos Bexiguentos

O cemitério dos bexiguentos.

Geralmente afastado, presente na maioria das cidades centenárias ou quase centenárias da nossa região, estes cemitérios são lembranças tristes para pessoas e familiares dos que sofreram ação da varíola no século passado. Era isolado para tentar evitar a contaminação de outras pessoas da cidade. Bexiga era o nome dado a doença. E os doentes eram enterradas no Cemitério dos Bexiguentos.

A história contada ao longo dos anos diz que essas pessoas acometidas por varíola teriam sido enterradas ainda vivas, numa cova comunitária. As almas desses doentes teriam, segundo fiéis, se elevado a um plano superior e, devido ao grande sofrimento em vida, adquirido o poder de interceder junto a Deus pelos que a eles pedem ajuda. Estas almas não tiveram velório, foram enterradas as pressas. Estas pessoas passaram por muito sofrimento.

Como se sabe, a varíola é uma doença infecto-contagiosa causada por um vírus (Orthopoxvírus variolae) que atinge somente os seres humanos, não sendo transmitida por nenhum outro animal. Hoje se encontra erradicada desde 1980 segundo a Organização Mundial de Saúde. Sendo notificado o ultimo caso em 1978. Classificada como uma das enfermidades mais devastadoras da história da humanidade. A varíola matou quase 500 milhões de pessoas só no século XX.

O vírus da varíola pode ficar incubado de sete a 17 dias. Depois, ele se estabelece na garganta e nas fossas nasais e provoca febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor nas costas e abatimento, esse estado permanece de dois a cinco dias. A seguir, a doença assume uma forma mais violenta: a febre baixa e começam a aparecer erupções avermelhadas, primeiro na garganta, boca, rosto e depois se espalham pelo corpo inteiro. Com o tempo, as erupções evoluem e se transformam em pequenas bolhas cheias de pus, que provocam coceira intensa e dor. No último estágio da doença, quando as bolhas causam coceira, há o risco do enfermo perder a visão, devido à inflamação grave que pode ser provocada se o paciente coçar as feridas e passar as mãos nos olhos.

Mas voltando ao cemitério, fiquei sabendo da existência do cemitério de Itapecerica em 2006, e fui visitá-lo em 2007 e 2008. Itapecerica tem 13 sepulturas no Cemitério dos Bexiguentos. Acabei por descobrir posteriormente, por pesquisas, que na minha cidade natal, Boa Esperança, também tem um destes cemitérios.

Estive em Itapecerica em novembro de 2007 e 2008 visitando o tal cemitério, e hoje me sinto bem em ter ido lá. Quando passo por lá na rodovia faço um sinal da cruz e uma oração. Pretendo ir lá pelo menos uma vez por ano. Interessante que no dia 2 de novembro, dia de finados, as bandas de Itapecerica vão aos cemitérios e tocam musicas fúnebres, tive a oportunidade de apreciar estas bandas tocando em 2007. Achei super interessante.

Segundo moradores da cidade, todos os dias, alguma pessoa, pede missa em intenção das almas dos bexiguentos. O cemitério dos bexiguentos é cuidado por descendentes da pessoa que ajudou os doentes levando comida, água e chás medicinais da época. O cemitério dos Bexiguentos de Itapecerica se encontra bem conservado. A história é conhecida por muitos moradores e estes contam detalhes interessantes. Passando por Itapecerica, atente-se para uma placa na saída da cidade com os dizeres: “Cemitério dos Bexiguentos – Fundado em 1925”. Dê uma parada, faça uma visita e orações para as almas dos bexiguentos. Faça algo diferente no 2 de novembro de 2009, tem bastante tempo para se agendar.

* Farmacêutico Bioquímico, fotografo, e escreve para jornais da região centro oeste de Minas Gerais. Editor do Portal Lagoadaprata.com

As fotos são de autoria de Robson Moraes Almeida

Robson Moraes

Robson Moraes Almeida, Farmacêutico, Bioquimico, Retratista e Editor do Lagoa da Prata Ponto Com

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