O Primeiro Roubo a Banco

O Roubo do Banco.

Em Lagoa é sabido que há muitos anos, aconteceu um roubo a banco. Foi no centro da cidade. Assaltaram-no e fugiram a pé. Não se teve notícias de que foram pegos, mas dizem os antigos que sim. Foram presos e pagaram seus crimes. O acontecimento marcou época, foi notícia no rádio em todo o Brasil. Não é de hoje que Lagoa aparece no noticiário policial de forma negativa.

Pois bem. Os assaltantes após adentrarem no banco fugiram a pé em direção à fazenda do Chico Cadeado. Passaram o córrego ao longo da fazenda e próximo ao entroncamento que dava às passagens para o coqueiro e para a estrada para esteios, logo algumas centenas de metros além da estrada do Bripocal, existiam umas mangueiras e outras árvores frondosas. Dizem que os meliantes pararam ali para descansarem do roubo, bem como renovarem as forças, pois ali existia água fresca em boa quantidade, além de provisões que eles próprios haviam deixado, visando se alimentarem, descansarem e novamente empreenderem fuga.

O marceneiro Zé Silvério e dois de seus filhos também ali se encontravam descansando, pois estavam já o dia todo a tirar lenha para levar para a cidade. Naquela época, a lenha ao redor da cidade já era escassa por causa do canavial. Pararam debaixo das árvores para descansarem após a lenha já toda ajuntada e sobreposta sobre o carro de boi emprestado. Segundo Seu Zé Silvério, estranhou a forma meio “arrastada” e diferente que a qual os indivíduos falavam. Não riam: conversavam baixo e, a todo momento, se levantavam para observar ao longe, no início da estrada. Eram quatro. Outros já haviam deixado o lugar.

Zé Silvério ainda explicou a eles o caminho mais curto para passar o São Francisco uma vez que não queriam passar pela balsa. Tinham muitas armas que estavam guardadas dentro de uma caixa de madeira muito pesada. Zé Silvério e seus filhos ajudaram os homens a colocá-las sobre o lombo de um cavalo comprado perto dali. Dinheiro não faltava é lógico.

Apenas quando chegou à cidade é que ficou sabendo do roubo e das características dos homens que estiveram visitando o banco. O interessante é que o Seu Zé mandou recado através do “Fazinho” e do pai do “Tiriziu” para a polícia. Morreu sem contar pr’os “homi” que apesar das muitas armas, a maioria delas não tinha bala nenhuma. Eram mais velhas do que as garruchas do Osvaldo Damasceno.

Os ladrões falaram uns aos outros que, um furto daquela forma era um momento de muita sorte. Quiseram pagar ao Zé Silvério com uma nota de mil cruzeiros. Era um mês todo de serviço da marcenaria quando os clientes pagavam. Zé Silvério não aceitou.

Dizia que dinheiro bom era aquele ganho através do suor do rosto e que caridade não tinha preço.

Por Isaías Ribeiro, Fonte: Jornal OPAPEL – Edição 641, de 23/05/2008

Robson Moraes

Robson Moraes Almeida, Farmacêutico, Bioquimico, Retratista e Editor do Lagoa da Prata Ponto Com

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