Reconstrução de casarão recupera parte da história de Lagoa da Prata

A Fundação de Turismo e Cultura de Lagoa da Prata [FUTURA] terá pela frente na segunda quinzena de outubro a missão de resgatar uma parte da história de Lagoa da Prata que ficou esquecida quando desabou o Museu.

È com esse objetivo que segundo a presidente da FUTURA Norma Aloy Antunes começará mais uma etapa das obras de reconstrução do principal monumento histórico municipal. De acordo com ela a próxima intervenção no casarão será a colocação do telhado, que está orçado em cerca de R$ 16 mil que foram repassados pela Prefeitura de Lagoa da Prata através de convênio.

DESABAMENTO E DIFICULDADES

            Há 4 anos, desde que foi reativada, a Fundação trabalha na recuperação do local. Com o início das obras, o casarão, que estava em ruínas, veio abaixo em 2004 e o projeto inicial teve que sofrer alterações, já que o objetivo era tentar preservar boa parte da construção antiga. “Queríamos reaproveitar o que desse e fazer do Museu uma casa de cultura, preservando as características históricas do lugar. Mas com o desabamento, perdemos tudo e tivemos que construir tudo de novo, o que dificultou o nosso trabalho”, diz a Presidente FUTURA, Norma Aloy Antunes.  

ESPAÇO CULTURAL

Segundo a presidente da FUTURA, do casarão de 21 cômodos, que foi construído em 1875 pelo Coronel Carlos Bernardes, fundador da cidade, apenas a parte externa será mantida com características originais depois da reconstrução. “No interior foi preservado um pé de Alecrim centenário. O restante da construção será mudada e adaptada para que no local sejam desenvolvidas oficinas, apresentações artísticas, exposições”.

“Temos o compromisso de entregar a parte externa e a cobertura pronta no nosso mandato que termina agora. Mas, as próximas etapas deverão ser discutidas com a comunidade, para que seja feito de forma que irá beneficiar a população e tenha demanda de uso.” destacou Antunes.

            SEM RECURSOS

            O custo do projeto de reconstrução que irá transformar o local em um Centro de Cultura está estimado em R$ 600 mil. A falta de verbas para executar a obra é um dos desafios enfrentados pela Fundação. A presidente Antunes afirma que já foram gastos cerca de R$ 200 mil, doados pelo governo municipal anterior, a atual administração e empresas privadas.

Para a secretária da FUTURA Fátima César, o envolvimento da comunidade no projeto pode despertar o interesse e facilitar a obtenção de recursos. “Até agora, conseguimos muito apoio, quando assumimos a Fundação tinha uma dívida, que foi assumida por um parceiro nosso no projeto. Mas ainda precisamos de muita ajuda para chegar ao nosso objetivo final”.

          

DE VOLTA AO PASSADO

Mesmo com algumas modificações feitas hoje, a imagem do antigo casarão continua intacta na mente do aposentado Luiz Izaias da Silva, 66 que trabalhou no local para um dos filhos do Coronel Carlos Bernardes. “Eu vejo o casarão como ele era há 60 anos. Eu era criança e trabalhei lá tirando as formigas que estavam matando os arvoredos. É como voltar no tempo, por isso é importante preservar. Faz parte da nossa história, meu pai, meus irmãos, todos nós convivemos nesse lugar. É parte da memória da cidade que caiu e tem que ser recuperada”, diz Silva.

Com um ar de nostalgia, mas sabedor da importância do Museu para as futuras gerações, sempre com um sorriso no rosto o aposentado descreve cenas vividas no casarão. “Tem muita história lá. Nos porões ainda tinha os ferros de prender os escravos. Ficava vendo aquilo e imaginando como era a época, ás vezes dá saudade daquele tempo”.

 

            ACERVO DESAPARECIDO

Se o processo de recuperação do Casarão está em pleno vapor, a localização do acervo histórico que estava no casarão está longe de acontecer. De acordo com o chefe do setor de cultura da prefeitura de Lagoa da Prata Cadu Escobar, ele não sabe do paradeiro dos objetos. “Hoje eu não tenho conhecimento do que tinha lá dentro do museu e nem onde está”, disse.

Para Escobar, a recuperação do prédio é importante para a cultura da cidade. “A reconstrução do museu é importante para a história de Lagoa da Prata. Tem que levantar o museu e espero que ele se torne um ponto de referência cultural. Apesar de ter caído, o valor sentimental sobrepõe o material”.

Além do Casarão, a Praia Municipal, a imagem do Senhor do Passos e a Estação Ferroviária, são patrimônios culturais tombados no município.

Por Beto Felisbino
Jornal Ultima Hora


Arquivo fotos antigas do Casarão:


Robson Moraes

Robson Moraes Almeida, Farmacêutico, Bioquimico, Retratista e Editor do Lagoa da Prata Ponto Com

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